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O uso de acupunctura na reabilitação

Sabemos que em problemas que necessitem de reabilitação, a fisioterapia é a escolha de eleição, mas e o que dizer do papel da acupunctura?

Existem inúmeros problemas que requerem reabilitação, alguns deles são: Sequela de AVC, fracturas, rupturas musculares, algumas cirúrgias nomeadamente ortopédicas, etc.

A fisioterapia é desempenha um papel importante, mas será que não existem outras formas que possam ajudar?

Aproveito para partilhar um caso como espécie de argumento…

Caso

Há uns anos recebi uma paciente que já havia tratado anteriormente. Quando me quis visitar foi porque estava a recuperar de uma fratura do antebraço (fratura distal da ulna e rádio). Tinha feito inúmeras sessões de fisioterapia mas continuava com muita dor e limitação no movimento do pulso e dedos.

A paciente decidiu então tentar a acupunctura para obter os resultados que ainda não havia visto.

Quando a recebi mal conseguia abrir a mão e pouco rodava o pulso. Sempre que o tentava fazer tinha muita dor.

Tratamento

Comecei então o tratamento de acupunctura distal, libertando assim o seu braço para executar diversos exercícios enquanto permanecia com as agulhas.

O resultado foi que a dor diminuiu drásticamente e a mobilidade aumentou de forma consistente. Em 6 tratamentos de acupunctura conseguiu melhorar o que em mais de 20 a fisioterapia não fez

Caso

Há uns anos tive também um paciente para reabilitação. Neste caso o quadro era bem mais complexo. Este paciente tinha sofrido um AVC há mais de um ano e estava muito debilitado. Não conseguia andar sozinho nem manter o equilíbrio. Um dos seus braços tinha muito pouca mobilidade, de um dos lados a sua boca estava espástica e o olho não fechava.

Como é prática comum foi sujeito a um tratamento de reabilitação na altura sem nunca ter recuperado substancialmente.

Tratamento

Quando veio ter comigo veio pela mão da sua mulher. Após alguns tratamentos já conseguia andar sozinho. Este foi um caso de tratamento prolongado, cerca de 1 ano. Mas quando o paciente decidiu terminar (haveria ainda muito a fazer) já andava sozinho, já tinha mobilidade no braço, havia recuperado a sensibilidade no pé…

Neste caso o tratamento de base escolhido foi a craniopunctura de Yamamoto (YNSA). Este método permite também que o paciente, enquanto está em tratamento com as agulhas, possa estimular o organismo com vários exercícios de mobilidade.

Estes dois casos servem apenas para exemplificar a contribuição da acupunctura nestes casos de reabilitação. Em vários locais, inclusivamente em Portugal, a acupunctura é usada concomitantemente com a fisioterapia para trazer melhores resultados.
Esse deve ser o caminho. Juntar as melhores estratégias para que os pacientes saiam a ganhar.

Em jeito de conclusão, SIM a acupunctura é uma mais valia nos problemas de reabilitação, e deve ser considerada sempre que a pessoa se depare com um problema do género

Acne após parto


“No final da gravidez e logo após a gravidez, tive uma explosão de acne infetado que depois originava bastante comichão, para além disso algumas das erupções criavam pus.  Após conversa com uma das mães no grupo de ioga sugeriu-me uma alternativa, a acupunctura. Recomendou-me o acupunctor Rafael, porque na altura estava a amamentar em exclusivo e mesmo, com o acompanhamento da parte médica, a nível dermatológico e obstétrico, não via grandes melhorias. E, sinceramente, ficava sempre aquele receio de passar para a bebé a medicação que estava a aplicar topicamente, como através da pílula e outro medicamento para reduzir a comichão. Apesar do Dr. de dermatologia ter tido isso em atenção, na primeira consulta que fiz com o Rafael, abordamos toda a minha situação clínica e, também, na adolescência por questões hormonais e à alimentação que fazia, tive uma grande explosão de acne situado na zona do peito e cara. Nesta vez, foi mais situado nas costas e peito.

Durante as primeiras semanas (de tratamento), notei realmente a comichão a desaparecer e após alguns tratamentos sentia a melhoria tanto na travagem de aparecimento de novas borbulhas, como no desaparecimento da infeções que tinha. 

Como já referi, ao amamentar em exclusivo tinha alguns cuidados com a alimentação (sempre tive na realidade…), mas em conversa com o Rafael, optamos por retirar as farinhas totalmente brancas e as bolachas processadas, que na altura consumia. E assim, com esta combinação e algumas agulhas, foi uma ajuda preciosa sem recorrer a muitos tratamentos e não interferiu em nada com a amamentação. Mais uma vez muito obrigada pela ajuda!”

Fotografias:

As imagens mostram como a paciente se encontrava no momento do inicio do tratamento e no final do mesmo

Rafael Laballe

Palpitações e acupunctura

É habitual conversar com os meus pacientes. Existem algumas vantagens, entre as quais a informação que vai chegando até mim. Certo dia, ao tratar uma paciente já há algum tempo, ela queixou-se de palpitações matinais.

Este era um problema que já existia há bastante tempo e que aceitava como “normal”. Sem perverter o tratamento decidi usar um grupo de pontos específico para este tipo de problemas.

A paciente fez o tratamento agendando consulta para 15 dias depois. Não voltei a ter noticias até altura da sessão previamente agendada. Quando vi a paciente ela referiu-me, surpreendida, que após o último tratamento não voltou a sentir palpitações.

A acupunctura é uma técnica extraordinária conseguindo muitas vezes, obter efeitos rápidos e profundos. De qualquer forma não devemos, nunca, negligenciar sintomas que podem significar problemas mais graves e é por isso, importante, existir acompanhamento médico.

Rafael Laballe

Um caso de pediatria

“Os santos da casa também fazem milagres”, afinal

Chegado a casa após um dia de trabalho, a minha mulher disse-me que o meu filho José se andava a queixar da “pilinha”… Fui ter com ele e ele disse-me que doía…

Quando o observei vi que o prepúcio estava vermelho e que havia um corrimento esbranquiçado. Pelas horas que eram, não contactamos o pediatra e também não queríamos ir às urgências apenas por isto.

Perguntei ao meu filho se me deixava tratá-lo e ele disse logo que sim, o corajoso. Ele tem apenas 4 anos.

Em vez de usar agulhas decidi usar um pequeno aparelho de electroestimulação.

Selecionei uns pontos na mão e na coxa e tratei-o durante uns minutos. Como já era tarde, pouco depois deitou-se.

O José dormiu bem nessa noite. Tinha passado o dia a queixar-se na escola e também em casa pois a “pilinha” ardia, “dói” dizia ele…

No dia seguinte ao acordar não me falou mais nisso e de manhã quando, quando o observei, já não tinha corrimento nenhum. Apenas o prepúcio estava irritado.

Foi então para a escola e quando regressou, não se queixou mais…

Nesse mesmo dia acabei por não fazer tratamento, mas no dia seguinte o José queixou-se outra vez. Desta vez não tinha qualquer corrimento, era apenas a irritação na “pilinha” que o incomodava. Repetimos o tratamento.

E assim, ao fim de dois tratamentos, o José livrou-se deste desconforto. É importante contudo analisar a evolução destes casos que podem complicar.

O José, um caso pediátrico

Rafael Laballe

Depressão

A Joana* veio visitar-me devido a várias queixas. Aquela que mais valorizei foi a sua depressão.

A Joana já sofre de depressão há vários meses. Após uma situação emocional complicada, começou com vontade de se isolar sentindo-se também desmotivada, triste e revoltada com o que havia acontecido. Pior, é que a Joana já teve pensamentos suicidas.

Mas na realidade, quando veio ter comigo, a paciente relevou primeiro as suas dores físicas, o pé, o cotovelo, as dores de cabeça, e até um dor no polegar que a chateia há muito tempo.

Foi depois de alguma conversa que consegui entender o que se passava ao nível psicológico. Tive a felicidade da Joana me confiar a sua dificuldade, podendo assim tentar ajudá-la com mais facilidade.

Tive o cuidado de dizer que no seu caso é fundamental que seja acompanhada por um psicólogo, pois a acupunctura pode não ser suficiente. Espero tê-la convencido, embora tenha demonstrado alguma resistência nessa ideia.

Propus-me ajudá-la, e foi então que iniciamos o tratamento.

Como é hábito na prática clinica dos acupunctores, muitos dos pacientes que vêm até nós pela primeira vez, têm medo das agulhas. A Joana sofria do mesmo mal.

Ao iniciar o tratamento tive também de ter isso em conta, e a Joana rapidamente perdeu o medo (após as primeiras agulhas) que tinha do desconhecido.

Tentei desde o início tratar TUDO. A depressão é fundamental, uma vez que a Joana já tem pensamentos suicidas, isso não pode continuar!

Por outro lado a depressão é um tratamento de longa duração e não podia também adiar as suas dores, que a afectam diariamente…

Após fazer o diagnóstico iniciamos o tratamento.

O primeiro tratamento correu bem, a Joana sentiu-se confortável durante todo o tratamento, embora um pouco desconfiada. No final estava mais descontraída e agendamos para a semana seguinte.

Na semana seguinte voltei a receber a Joana no meu gabinete. Ao vê-la o seu sorriso era diferente, a sua face estava mais aliviada e leve. Estava evidentemente bem disposta.

Quando perguntei, “então como passou a semana, sente-se melhor?”, a Joana respondeu: “melhorei de tudo embora uma ou outra dor tenha voltado há um dois dias, e senti uma coisa que já não sentia há muito tempo. após o tratamento senti uma alegria imensa dentro de mim

O tratamento continuou no sentido de consolidar as melhorias e tentar ajudar a Joana a ultrapassar esta fase difícil.

É extraordinário o que a acupunctura pode fazer. Na realidade o tratamento visa equilibrar o corpo, desta forma a pessoa sente-se melhor. Não apenas fisicamente bem como também do ponto de vista mental. Quando o corpo está mais forte, a pessoa tem mais capacidade para lidar com as adversidades…

“Não podemos nunca esquecer, que no caso da depressão é determinante procurar apoio psicológico. É na sinergia terapêutica que todos ganhamos e sobretudo, os pacientes”

*nome fictício

Depressão, o tratamento da Joana

Rafael Laballe